segunda-feira, novembro 13, 2006

O livro que se segue -'O outro pé da sereia', de Mia Couto

"um cruzamento de viagens entre tempos e lugares em busca de miragens"
"a trama é um pretexto para pensar as grandes encruzilhadas, que não são as políticas ou económicas, mas as da identidade".

Assim que terminar 'Pride and Prejudice', da Jane Austen.

domingo, novembro 12, 2006

De novo o mesmo filme...

Ninguém fala disto...

Drum n' bass


Adam F

Relax....


Hôtel Costes 9

quinta-feira, novembro 09, 2006

straight to the point!

Porque Sócrates fechou a torneira...



www.marcamadeira.com


PS: E por favor, calem-me o Carlos César! Já chega de tanto lamber as botas ao gato Sócrates.

Carta de um director de serviço CONTRA a administração do SEU hospital

Esta é uma carta do director do Serviço de Estomatologia do Hospital Amato Lusitano, Dr. Vasco Rolo, contra a administração do seu póprio hospital:

Um verdadeito achado entre a fauna hospitalar...

«LULAS MINHAS QUERIDAS MANAS

CEFALÓPODES E lobos

Na sexta-feira passada fui falar com o Presidente de Administração do H.A.L. a propósito de um engano que os novos horários para os médicos do Serviço de Estomatologia traziam.
Depois de desfeito o engano o que foi rápido, deu-me o Presidente a noticia de que ele me classificava não na classe dos mamíferos ordem dos primatas como seria de pensar (quem pensa com a cabeça claro) mas na classe dos peixes, ordem dos cefalópodes.
Como o nome indica cefalópodes (pés na cabeça) são os polvos, as lulas e os chocos e Eu também, pelo menos na perspectiva do Presidente, uma vez que segundo ele penso e escrevo com os pés.
Não direi que foi uma conversa cordata, não foi, o Presidente, penso eu, com os pés, excedeu-se tanto nos insultos como na gritaria.
(...) como diz o povo “vozes de burro não chegam ao céu”. Por isso mesmo pedi a demissão do cargo de director de serviço. (que foi aceite)
(...)
O que realmente está em causa é a sensação de que se está a paralisar o hospital, de que o futuro já está bem definido, mas que não há a coragem de o dizer. Em vez disso vamos tendo cortes a avulso, noticias nos jornais que levantam a ponta do véu mas que deixam para trás o essencial de modo que a especulação torna-se a única forma de tentarmos prever o que será o nosso futuro próximo.
(...)
E posso afirmar com toda a certeza, que a maioria das pessoas que trabalham no hospital pensam que o nosso futuro é do pior.
(...)
Ameaças não se fazem, não são demonstrações de bom carácter, ou se faz cumprir a lei OU NÃO SE FAZ.
(...)
Estou de consciência muito tranquila pois toda a minha actividade no hospital tem tido a preocupação desde o inicio de servir sobretudo quem mais sofre e não tem meios para recorrer a outro lado.
(...)
Nas minhas decisões que poderiam ser mais polémicas foram acautelados os princípios de ordem ética e deontológica. (...) O mesmo tenho a certeza não fez a administração.
POR ISSO CUMPRAM AS AMEAÇAS e veremos que pagará.


Senão gostam do que escrevo melhor, quem não quer ser lobo não lhe veste a pele.

Deste humilde choco
Vasco Rolo»

Extraído do blog Hospital Amato Lusitano

quarta-feira, novembro 08, 2006

Falta de médicos em Potugal? Mito ou Realidade?

De acordo com a World Heath Report 2006, as estatísticas dizem-nos que:

Portugal

Physicians (density per 1 000 population): 3.42

Nurses (density per 1 000 population): 4.36

Dentists (density per 1 000 population): 0,55

Pharmacists (density per 1 000 population): 0.95


United Kingdom

Physicians (density per 1 000 population): 2.30

Nurses (density per 1 000 population): 12.12

Dentists (density per 1 000 population): 1.01

Pharmacists (density per 1 000 population): 051


Spain

Physicians (density per 1 000 population): 3,30

Nurses (density per 1 000 population): 7.68

Dentists (density per 1 000 population): 0,49

Pharmacists (density per 1 000 population):0,87


Germany

Physicians (density per 1 000 population): 3.37

Nurses (density per 1 000 population): 9,72

Dentists (density per 1 000 population): 0.78

Pharmacists (density per 1 000 population): 0.58

Quando o Senhor Ministro Correia de Campos vem dizer que há falta de médicos em Portugal, saberá ele o rácio CORRECTO de médicos/1000 habitantes??

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, Portugal, em 2003, tinha um rácio de médicos/1000 habitantes de 3.42, rácio este superior à média da União Europeia (3,28 médicos/1000 habitantes).

Da mesma forma, tudo isto é confirmado pelos números lançados pela World Health Report 2006, em que o nosso rácio médicos/1000 habitantes é superior ao dos chamados países desenvolvidos como a Inglaterra, Alemanha, Espanha, Dinamarca, Holanda, Suécia e Itália, conforme ilustrado nos gráficos.

Adicionalmente, estes números não têm em conta o aumento da idade da reforma nem o afluxo e fixação de médicos vindos de outros países, nomeadamente médicos de Leste e da vizinha Espanha (conhecida já pelo seu excesso de pessoal na área da saúde), o que contribui para um aumento de número de médicos que não foram contabilizados nestes estudos.

Com a abertura de 'novas' faculdade e principalmente com o aumento do numerus clausus nas faculdades pré-existentes, Portugal já excede largamente as necessidades formativas de novos médicos.

A falta de médicos é, de facto, um mito, amplamente alimentado pelos media nacionais.

Há, sim, uma má distribuição dos médicos, quer em termos de especialidades, quer em termos de distribuição geográfica, mas isso são problemas colocados à saída da licenciatura e não à entrada, tendo como única solução NÃO um aumento do numerus
clausus
para as faculdades de medicina, mas SIM uma canalização posterior para as especialidades carenciadas!
Caso contrário, limitamo-nos a aumentar o gap entre médicos formados e consequente má distribuição!!!

Não há falta de médicos!

Fonte: ANEM

Especialidades vs Super-especialidades

Hoje decidi homenagear um blog médico extinto desde há alguns dias para cá, o Interne-me.

Com um post simples e didáctico, diferenciando os especialistas dos super-super-super-especialistas:

«Uma das coisas que sempre me fez alguma confusão é o conceito de superespecialidade.
Tendo desde muito cedo optado por seguir uma especialidade considerada por muitos como menor, é sempre com algum gozo que vejo alguns colegas de especialidades ditas "diferenciadas" a olhar-me de cima a baixo (o que no meu caso concreto é sempre dificil, e bem capaz de provocar lesões ao nível da coluna cervical dos ditos superespecialistas...) sempre que me aventuro discutir temas das suas áreas de conhecimento.
Adoro estas aves raras que pululam pelos nossos hospitais, observando (sempre muito enfadados...) os doentes que os míseros especialistas lhe pedem para observar (quando os observam...)
Claro que os há simpáticos e disponíveis, e que estes são, felizmente a imensa maioria, mas os superespecialistas são realmente os mais engraçados de todos.

Como se reconhece um superespecialista?
Bem, comecemos pelo principio.
Não é, obviamente, um cirurgião geral, um internista ou um clinico geral. Não!
A sua especialidade é sempre algo de muito avançado, na qual apenas entra um restrito grupo de predestinados com capacidades acima da média.

Claro que o superespecialista como predestinado que é, olha todos os outros não-superespecialistas com piedade, comiseração ou desdém.
O superespecialista duvida sempre do que os colegas lhe dizem. Porque na verdade só ele é que sabe. Só ele é que vê. Só ele é que ouve. Na realidade só ele é que compreende o doente.
Fantásticamente (ou não...) para o comum dos leigos, o superespecialista parece completamente inepto e desprovido de capacidades para comunicar com os doentes, mas...a realidade é que, como só o superespecialista sabe, o comum dos leigos nada percebe sobre nada e não devia sequer olhar para o superespecialista, sob pena de ficar cego com o brilho que naturalmente emana desse ser semi-divino.
Nunca há qualquer justificação para chamar um superespecialista de madrugada. Nunca há nada que seja suficientemente urgente, emergente ou premente que seja da sua área de especialidade (o que às vezes me leva a interrogar-me sobre qual a necessidade da permanência no serviço de urgência destes seres...mas eu sou um dos tais leigos e como tal devo reduzir-me à minha mísera insignificância...)
Ah!...e o facto de, tal como eu, ele também ser pago é completamente irrelevante. Porque na realidade nós (das especialidades rascas) é que devíamos pagar para podermos pisar o mesmo chão e respirar o mesmo ar que o superespecialista.
O superespecialista usa sempre gravata. Ele acha que só assim será respeitado. Eu acho que a compressão carotídea e consequente redução do fluxo sanguíneo cerebral explica muita coisa...
Agora digam-me...há paciência para os aturar???»

Entrevista a João Salgueiro no Público

O presidente da Associação Portuguesa de Bancos (APB) diz que José Sócrates tem procurado ter a agenda mediática por sua conta e que os ataques à banca fazem parte da estratégia de atrair a opinião pública. O responsável interroga-se se o sucesso desta estratégia está nas agências de comunicação.

PÚBLICO - Como analisa as conclusões do relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre a banca nacional?
JOÃO SALGUEIRO - A conclusão final é encorajante. O FMI diz que a banca é um sector moderno, bem gerido e competitivo. É difícil de dizer isto de muitos sectores em Portugal. Até para bem da auto-estima dos portugueses e para relançar expectativas, que o Governo diz que está muito interessado em estimular, as conclusões deveriam ter sido desenvolvidas. Mas o que se tem criado é ocupação da agenda mediática com incidentes bastante marginais à base do problema.
Por que é que isso acontece?
É uma estratégia. Este Governo tem mostrado que dá uma grande prioridade à ocupação das agendas mediáticas. E tem procurado, através de confrontos, de anúncios de grandes projectos, de grandes programas, de grandes eventos mediáticos, ter a agenda por sua conta. E tem conseguido. Não sei se é mérito dos membros do Governo se das agências de comunicação que os assessoram. Mas tem sido bem-sucedido. Mas isto tem limites. Uma coisa é a imagem, outra a realidade.
O ex-primeiro-ministro Pedro Santana Lopes tentou criar um gabinete de comunicação para promover as acções do Governo. José Sócrates está a pôr esta estratégia em prática?
Este Governo tem-lo feito, mas agora de forma bastante mais profissional. Mas a intenção é a mesma. Isto já se tinha visto em termos de campanhas eleitorais, mas nunca em termos de governos.A banca já se manifestou disponível para colaborar com o Governo.
Em quê?
Não tem feito outra coisa. A banca já apresentou estudos indicando que a legislação fiscal não é competitiva. E o Governo já alterou alguns pontos, como o regime de dupla tributação. Mas existem outros...Existem três grandes blocos que retiram competitividade ao país, sendo um deles o IVA. Estamos a desviar negócio para Espanha e esta é, estou convencido, uma das razões porque o nosso produto está a crescer menos. Ainda por cima as pessoas têm o bónus de ter gasolina mais barata. Outro entrave é o regime do good-will. Umas das razões porque as empresas espanholas oferecem preços altos nas aquisições é porque têm um desconto fiscal, e compram o que quiserem porque nós não podemos competir. Há ainda o regime das SGPS. Por alguma razão as empresas portuguesas, mesmo as de interesse público, instalam as suas sedes fora do país.
A fiscalidade não é um factor de competitividade em Portugal. O problema é apenas a fiscalidade?
Se analisarmos componente a componente não podemos dizer que em nenhuma delas somos os mais competitivos. Não somos na questão laboral, na burocracia, na justiça, no ensino e na fiscalidade. Porque é que havemos de trazer investimento estrangeiro...só fazendo uns favores na negociação dos contratos, permitindo a quem investe não pagar impostos, ter regimes especiais. Porque o regime geral para as nossas Pequenas e Médias Empresas, que são o grosso do tecido económico, é desfavorável.
A banca só colabora dando sugestões?
A banca tem colaborado em todas as campanhas de interesse nacional. Ainda há dois anos negociámos a cobrança e o pagamento dos encargos e das pensões para a segurança social. Que, aliás, melhorou. Basta dizer que os sistemas eram incompatíveis. O sistema informático que cobrava as receitas da segurança social era incompatível com o que pagava as pensões. Isto passou a ser feito pela banca, que cobra ainda centenas de milhões de impostos para o Estado.Portanto quando o Governo fala com esta arrogância da banca é peronismo, é na linha do peronismo.
Que balanço faz da actuação do Governo?
Temos vivido estes últimos anos sentados sobre o Orçamento do Estado (OE). Ter um OE disciplinado é indispensável, mas não é suficiente. E a atenção dos portugueses há quatro anos que está fixada na redução da despesa pública. E com fracos resultados. Já se diz que são precisos mais dois. Não existe nenhum processo de ajustamento europeu que tenha sido tão longo. E isto tem custos humanos enormes e quebra as expectativas.
Como se resolve a situação?
Não é com grandes acções mediáticas.
O equilíbrio das finanças públicas tem que se fazer também à base do desenvolvimento.Como?
Tomando as medidas para desbloquear as situações. O governo tem anunciado uma série de reformas, mas há medidas que são elementares como não atrasar os pagamentos ao sector privado, que têm que pagar os seus impostos sem terem antes recebido o que lhe é devido.
O Governo procura conflitos para evitar tomar medidas essenciais?
A estratégia de conflitualidade que o governo adoptou, de provocar conflitos com várias classes sociais, é nalguns casos justificada, mas noutras é menos, porque são coisas superficiais e simbólicas. Devia estar a polarizar as pessoas para uma tarefa positiva, pondo à sua frente um objectivo de criar riqueza e não de austeridade.
Como avalia o OE?
As medidas vão no sentido certo, mas não há um sentido de urgência como devia haver. Este ajustamento arrastado que leva seis a sete anos vai corroer a base de apoio do Governo e vai levar a que muita gente que desejaria investir em Portugal não o faça. Hoje existe uma situação favorável, com uma maioria absoluta. Mas os governos quando entram em perda começam a tomar medidas que não são muito racionais. Quem vier a seguir fica numa situação desgraçada se não tiver maioria absoluta e podemos mesmo entrar em situação de colapso económico e social. Há uma urgência muito grande e este OE está no limite do aceitável. O Governo argumenta com a redução do peso da despesa no PIB...Sim, mas em termos relativos, em relação à Europa piorámos. Éramos um dos cinco que estávamos com défice excessivo e agora somos o único.
Qual é a sua sugestão?
Os milagres a seguir à guerra, da Alemanha e do Japão e mais tarde da Irlanda e da Holanda, resultaram de medidas que desbloquearam as situações. Na Alemanha foi uma coisa tão simples como adoptar uma moeda credível, o marco, e os alemães acreditaram que tinham ali um valor e começaram a trabalhar para esse valor. Noutros países foi a legislação laboral. Ora muitos investimentos poderiam ter vindo para Portugal se se tivesse criado um terceiro regime laboral mais flexível para novos projectos e não pondo em causa os regimes em vigor. Um bom exemplo é o da AutoEuropa em que a Comissão de Trabalhadores viu o que era feito nos outros países, adaptou-se e teve sucesso. Perde-se muito tempo a dizer que é preciso alterar esta legislação, mas podia avança-se para outra alternativa sem alterar a actual.Chamar a atenção dos portugueses para estes problemas de fundo era mais importante do que estar a focar a sua atenção no Orçamento ou na conflitualidade.
E considera que as medidas legislativas que têm sido propostas em relação à banca fazem parte dessa estratégia?
Esses afloramentos relativos à banca fazem parte desta estratégia de conflitualidade para atrair a opinião pública. É como se fosse um circo e a comunicação gosta. Eu tinha apostado com alguns amigos que haveria um incidente com a banca para ajudar a distrair das limitações do Orçamento do Estado.

Testemunhos do que se passa no Líbano


O primeiro:

«I have owned and operated a business in Beirut for nearly 15 years, since the end of the (civil) war. I pay my taxes, keep my employees well paid and happy, and make sure that my store is clean and comfortable for my customers.

About 2 months ago, one of my favorite TV shows was on called Basmat Watan. Now Basmat Watan is a comedy show full of satirical skits, poking fun at our Ministers and other political leaders. They have made several important political figures the butt of their jokes. And why not? We all know it’s in good fun anyway.

So one night they put on a skit with someone impersonating Sheik Hassan Nasrallah, the leader of Hezbollah. Within minutes of airing the program, a huge mob of Hezbollah supporters come crashing into our neighborhood, busting up our storefronts along the street. I thought they were crazy! I tried talking to them but it was no use. Immediately I feared for my life as they crashed through the windows of my store and started looting everything that I had.

There was no police; there was no protection for us. Where was our government? My business suffered thousands of dollars in losses. My insurance won’t cover anything. And Hezbollah wants me to support them? While they were preparing for war why didn’t they at least tell us that they were going to war? None of us were prepared.

Here, I just opened my business again when the July War started. There are no customers left. Nasrallah says there is money to rebuild, but what about the vandalism and the lost income opportunity? Where are the tourists and when will they come back? I am afraid of losing everything all over again with three mouths to feed at home and a mortgage».


O segundo:

«As a young girl growing up in the southern suburbs of Beirut , I would play with my brothers and sister in our yard that my father, a hardworking policeman, took care of on his days off from work. We lived in the neighborhood and my parents were well respected and contributed their time and energy to the local community.

Our community was mixed Christian and Shia. We got along well and lived in peace. We shared vegetables that grew in our gardens, sipped coffee in each other’s homes, and we kids did what kids always do: get into mischief! That all came to an end one day when Hezbollah took over our neighborhood and made it their own fortress. We lost our home, my family’s ancestral property. Everything that my parents and grandparents and great-grandparents had worked and struggled to maintain through wars and recessions and the days of starvation by the Ottoman Empire … They destroyed my home. My home! We couldn’t take anything out of our house! I left in my pajamas, can you imagine! With machine guns blazing we ran out of our house. My dad tried to get back in to get the papers for the house. Snipers across the street shot at him and hit the car. We were lucky to be alive. But we lost our home, we lost our livelihood, we lost the land of my ancestors. And a Hezbollah training camp was built on our property. They refused to let us go back and see our land and visit the graves of my grandparents. For many years we struggled, moving from place to place. We were homeless refugees in our own country! We finally were able to sell our land to only one bidder at a price they offered. To Hezbollah. They got a great deal. Free rent for all those years and valuable property at a discount. It almost killed my father to sell that land. That’s how attached he was to it. I don’t like this war. And the Hezbollah brought the war back to Lebanon . For what? I don’t understand?!? I can’t sleep at night because I am afraid that the Hezbollah will come and take away my property like they did to my father that dark night many years ago.»


O terceiro:

«I live in the South. I am not a political person because politics only gets you in trouble. I don’t like to vote and frankly all politicians are corrupt. So what’s the point of pretending to vote? That was the attitude I had last year when we had the elections for Parliament.

So the weekend arrived and generally that is the best time to keep your business open. The local leaders were trying to whip up the community to vote for the Hezbollah slate with offers of cash and goods.

They came to me with cash and I refused. They took my refusal and came back with their goons and their guns. They raised their guns and demanded that I close my store and vote.

What was I to do? So I closed my store and they followed me to the polling place at gunpoint. Of course, I voted for the Hezbollah slate! Satisfied with my vote being cast for their slate, they allowed me to return to my business. Democracy bastardized. Like I said, politics only gets you in trouble. »

terça-feira, novembro 07, 2006

Suécia proibe privatização dos hospitais

Na ed. de 28 de Fevereiro do BMJ, Jane Burgermeister relata a proibição da privatização de hospitais, pela coligação governamental no poder na Suécia, por receio de que a expansão dos cuidados de saúde privados possa destruir o princípio de um serviço de saúde justo e gratuito.
As autoridades provinciais, responsáveis na Suécia pelo sistema de saúde local, não serão no futuro autorizadas a ceder a gestão de um hospital a uma companhia baseada no lucro. Isto depois de duas autoridades provinciais, ambas controladas pelos partidos de centro direita, terem privatizado alguns hospitais estatais. No entanto o Governo, uma coligação de social-democratas com partidos de centro esquerda, argumentou que a privatização de hospitais punha em causa um princípio fundamental da saúde do país – a saber, que o tratamento médico deve ser proporcionado a cada doente de acordo com a sua necessidade e não com a sua capacidade para pagar.
De acordo com a nova lei, as companhias privadas não serão autorizadas a gerir hospitais que tratem doentes do regime geral e privados. Além disso, as autoridades provinciais estão proibidas de entregar a gestão corrente dos hospitais a companhias baseadas no lucro. As companhias privadas não poderão comprar hospitais regionais ou universitários; só as fundações e os prestadores não baseados no lucro vão poder gerir hospitais. Entretanto, os hospitais privados já existentes continuarão a funcionar, e as companhias baseadas no lucro podem criar novos hospitais, desde que não tratem doentes do regime geral.

Jorge Nogueira
Fonte: FNAM

As irritações mais irritantes... (perdoem o pleonasmo)

Decidi listar algumas peripécias do quotidiano que têm a capacidade imensa de me irritar e de perder toda e qualquer menção à minha santa paciência.
(e desta vez, a leitura das actualizações do malfadado S.A.V não está incluída)!

Listagem decrescente das maiores irritações:

1º. O multibanco.
Essa máquina ambígua de amor e ódio.
Quando a pessoa que está imediatamente à minha frente no multibanco decide fazer mil e uma operações bancárias, incluindo pagar as contas domésticas que estão em falta (e cortadas) há 6 meses ou mandar dinheiro a todos os familiares que ficaram na Guiné.
Sem dúvida o número 1.

2º. Multibanco II
A propósito, avarias no multibanco anunciadas pelo frase bem conhecida «Dirija-se ao multibanco mais próximo» (quando, ninguém se lembra, que o multibanco mais próximo dista a escassos 1000 quilométros de distância!)

3º. A fila de hipermercado (ou bicha do hiper, como preferirem).
Lei de Murphy aplicada às grandes/médias superfícies.
Quando decido mudar de fila para outra fila muito melhor, claramente mais rápida e, de repente, já instalada na minha nova posição, a (minha) ex-fila desata a acelerar, como se tratasse de uma corrida de 100 metros fazendo lembrar o Francis Obiquello num bom dia.

Destronada recentemente do primeiro lugar porque, agora, à bom português, desisti nas 'vias normais' e corro para a caixa das mulheres grávidas ou de deficientes (em último recurso, com pagamento VISA). Alguém consegue comprovar o contrário?

4º. A fila de supermercado II
Quando a fila que escolho, sem dúvida a mais pequena de todas (ou, quando é a única fila aberta em pleno dia...), 'empanca' algures, seja por que razão for:
Ou a mulher da caixa tem uma lentificação motora acentuada que faz lembrar a capacidade de raciocínio de Bush; ou, o preço que surge marcado na caixa registadora não é aquele que vinha nas prateleiras de supermercado -insiste o homem (e com razão, em 99,999% casos), e é preciso chamar uma das meninas-dos-patins para o tira-teimas (e ela nunca chega...); ou, quando, afinal, a mulher que está minha frente na fila lembrou-se que lhe falta algo e decide ir buscar (e não voltar...); ou pior ainda, o homem que apenas levava 3 coisinhas insignificantes afinal decide levar o supermercado em peso para casa e eu não reparei....

5º. O segundo extra nas chamadas telefónicas, em tarifários pagos ao minuto.
Esta é uma entrada nova na tabela, que só me apercebi quando comecei a pedir a discriminação da duração das chamadas móveis (já por si com tarifários extremamente em conta para o descosido bolso português, à total imagem e semelhança de um povo nórdico.)
Duração das chamadas: X minutos e 1 segundo (não 10, não 23, não 55, mas 01 segundos!) pagos integralmente, contabilizando todos os outros 59.
Bem feito. Quem me manda não ficar mais tempo a falar? Ou menos?

6º. O condutor mais lento do mundo acaba que se posicionar a minha frente, numa estrada de sentido único com apenas uma fila de rodagem e sem conseguir ultrapassar por lado nenhum.
Pior do que isto, só quando eu estou atrasadíssima para a passagem de turno da urgência ou reunião com o director de serviço....
Abram alas!

7º. As escadas rolantes.
Quando as pessoas, em vez de ocuparem a zona mais à direita das escadas rolantes para deixarem simpaticamente as outras pessoas (mais apressadas) passar (a exemplo de qualquer cidade civilizada como Londres, onde inclusive, existem placas alusivas), amontoam-se e ocupam toda a largura e amplitude das escadas rolantes.

8º. Escadas rolantes II
A próposito, quando as escadas rolantes se avariam e temos que fazer uma maratona para descobrir as escadas mais próximas.

9º. Começar a ler o jornal ao contrário, do fim para o ínicio.
Não percebo porque, ainda há, quem continue a insistir nesta prática. Saberão o significado da expressão 'primeira página'?
Pior do que só começar a ler o jornal ao contrário, é começar a ler o jornal ao contrário, do fim para o ínicio e parar obrigatoriamente na necrologia! Nunca percebi o interesse....

10º. Os arrumadores.
Pior, arrumadores a arrumar carros em locais com parquímetros funcionantes
(leia-se, desta vez eles não conseguiram avariá-los. Ou esqueceram-se tal era a moca).
Palavras para quê?
Um super-Rui Rio e seu super-poder-que-extingue-os-arrumadores, precisa-se noutros cantos do país.

11º. As urgências (muito, muito, muito) parvas.
Ao fim do turno de urgência receber doentes triados a verde com 'choques eléctricos na cabeça'.
Não há paciência....
PS: Urgência geral, não psiquiátrica.

12º. As entrevistas telefónicas sobre o grau de satisfação dos clientes sobre um determinado serviço.
Será que não se apercebem da insatisfação gerada por tais questionários?
Pior, quando coincide com a hora do almoço/jantar.
Por favor, deixai-me comer o meu bife em paz.

13º. A nossa programação televisão diversificada e de qualidade superior.
(E bolas, onde é que foram buscar um provedor ex-padre??)
Já ninguém aguenta:
-as saias e as cantorias da Floribella;
-os dilemas e triângulos amorosos dos Morangos (sem açúcar), perpetuados agora pelo novo talk show com os ex-morangos, fazendo relembrar-nos que eles afinal não foram irradiados do mapa e ainda temos de os gramar, mesmo após a sua extinção televisiva;
-os comentários futebolísticos dos comentadores de futebol da TVI (quase igualando o record das 'calinadas' orgulhosamente ostentado pelo Gabriel Alves);
-a repetição da novela Anjo Selvagem após o jornal das 13h, contribuindo para uma percentagem significativa das indigestões pós-prandiais neste país; por outro lado, dá uma lição aos jovens aspirantes a actores (leia-se não morangos) sobre a arte de NÃO representar, através da péssima interpretação de José Carlos Pereira com o seu beicinho em bico...;
(E por falar nisso, alguém sabe quantos anos este senhor demorou a fazer o almejado curso de medicina? Façam as contas... Pista: é do tempo em que ainda se entrava em medicina por transferência de cursos...)


Estou a esquecer-me de algo.

Prometo alargar esta lista.
Sugestões...

Desistência de última hora

50 min depois de (estoicamente) ter (re-)re-começado a ler o manual do S.A.V., deponho as armas e desisto.

Blogo.

Esta dura e longa tarde....




...a ler o manual do S.A.V.
Ai!

(vide abaixo)

segunda-feira, novembro 06, 2006

Desilusão

Procurava algo que ilustrasse o pior dos estados de espírito....
A desilusão.

Encontrei-o no Boguz
Quem, um dia, nos faz pular de alegria e transbordar contentamento pode também transformar-nos, noutro dia, em seres miseravelmente vulneráveis.

Mas afinal de contas, ninguém nada nos prometeu...

Alerta à população: greve nacional de médicos

Apesar de não participar na greve, uma vez que não acredito em nenhuma paralização física como forma de luta em que o único lesado é quase sempre o doente, não posso deixar de me solidarizar com os motivos que conduzem a esta greve.
A saúde está doente.

Canyoning


Eu fiz.


Este fim de semana decidi experimentar o Canyoning
(que para aqueles que, tal como eu, também não sabiam, é uma espécie de alpinismo nas quedas de água, um rappel que mete água por todo o lado).

Um adjectivo: fantástico!

Tirando uns arranhões nas mãos, imensas borbulhas nos pés, um hematoma na bacia, e uma fractura incompleta do peróneo (não confirmada), tudo correu da melhor forma possível e quando recuperar a 100%, fica a certeza que vou repetir.

Para os que estiverem interessados, deixo aqui o link de um blog de Canyoning.

sexta-feira, novembro 03, 2006

Guess what?

S.A.V. à vista!
(=Suporte Avançado de Vida)

In Dicionário Médico:
Uma espécie de 'avaliação téorica-prática' que todos os médicos que fazem serviço de urgência realizam, com alguma variação temporal (ainda não percebi bem os critérios...), para determinar se estão aptos (estamos todos, não é?) a salvar in extremis um doente em PCR (=paragem cardio-respiratória). (-agora, bater na madeira 3x para isso não acontecer enquanto NÓS estivermos de plantão, principalmente se coincidir com a hora de jantar nas urgências internas ou durante a noite na urgência geral).
O terror dos médicos mais velhos, porque se lembram das aulas de ginástica nos tempos de escola.
A chatice dos médicos mais novos, porque o manual despoleta alucinações visuais alusivas ao período pré-Harrison's. (Harrison's é a Bíblia de todo o Interno de Medicina. A partir daqui, há quem vá para o inferno, há quem vá para o céu....)

Portugal de sucesso. Eu conheço!

1- Eu conheço um país que tem uma das mais baixas taxas de mortalidade de recém- nascidos do mundo, melhor que a média da União Europeia.
2- Eu conheço um país onde tem sede uma empresa que é líder mundial de tecnologia de transformadores. Mas onde outra é líder mundial na produção de feltros para chapéus.
3- Eu conheço um país que tem uma empresa que inventa jogos para telemóveis e os vende para mais de meia centena de mercados. E que tem também outra empresa que concebeu um sistema através do qual você pode escolher, pelo seu telemóvel, a sala de cinema onde quer ir, o filme que quer ver e a cadeira onde se quer sentar.
4- Eu conheço um país que inventou um sistema biométrico de pagamentos nas bombas de gasolina e uma bilha de gás muito leve que já ganhou vários prémios internacionais. E que tem um dos melhores sistemas de Multibanco a nível mundial, onde se fazem operações que não é possível fazer na Alemanha, Inglaterra ou Estados Unidos. Que fez mesmo uma revolução no sistema financeiro e tem as melhores agências bancárias da Europa (três bancos nos cinco primeiros).
5- Eu conheço um país que está avançadíssimo na investigação da produção de energia através das ondas do mar. E que tem uma empresa que analisa o ADN de plantas e animais e envia os resultados para os clientes de toda a Europa porvia informática.
6- Eu conheço um país que tem um conjunto de empresas que desenvolveram sistemas de gestão inovadores de clientes e de stocks, dirigidos a pequenas e médias empresas.
7- Eu conheço um país que conta com várias empresas a trabalhar para a NASA ou para outros clientes internacionais com o mesmo grau de exigência. Ou que desenvolveu um sistema muito cómodo de passar nas portagens das auto-estradas. Ou que vai lançar um medicamento anti-epiléptico no mercado mundial. Ou que é líder mundial na produção de rolhas de cortiça. Ou que produz um vinho que"bateu" em duas provas vários dos melhores vinhos espanhóis. E que conta já comum núcleo de várias empresas a trabalhar para a Agência Espacial Europeia. Ou que inventou e desenvolveu o melhor sistema mundial de pagamentos de cartõespré-pagos para telemóveis. E que está a construir ou já construiu um conjunto deprojectos hoteleiros de excelente qualidade um pouco por todo o mundo.
O leitor, possivelmente, não reconhece neste País aquele em que vive: Portugal. Mas é verdade. Tudo o que leu acima foi feito por empresas fundadas por portugueses, desenvolvidas por portugueses, dirigidas por portugueses, com sede em Portugal, que funcionam com técnicos e trabalhadores portugueses. Chamam-se, por ordem, Efacec, Fepsa,Ydreams, Mobycomp, GALP, SIBS, BPI, BCP, Totta,BES, CGD, Stab Vida, Altitude Software, Primavera Software, Critical Software,Out Systems, WeDo, Brisa, Bial, Grupo Amorim, Quinta do Monte d'Oiro, Activespace Technologies, Deimos Engenharia, Lusospace, Skysoft, Space Services.E, obviamente, Portugal Telecom Inovação. Mas também dos grupos Pestana, VilaGalé, Porto Bay, BES Turismo e Amorim Turismo. E depois há ainda grandes empresas multinacionais instaladas no País, masdirigidas por portugueses, trabalhando com técnicos portugueses, que há anos eanos obtêm grande sucesso junto das casas mãe, como a Siemens Portugal, Bosch,Vulcano, Alcatel, BP Portugal, McDonalds (que desenvolveu em Portugal um sistemaem tempo real que permite saber quantas refeições e de que tipo são vendidas emcada estabelecimento da cadeia norte-americana). É este o País em que também vivemos. É este o País de sucesso que convive com o País estatisticamente sempre na cauda da Europa, sempre com péssimos índices na educação, e com problemas nasaúde, no ambiente, etc.Mas nós só falamos do País que está mal. Daquele que não acompanhou o progresso. Do que se atrasou em relação à média europeia. Está na altura de olharmos para o que de muito bom temos feito. De nos orgulharmos disso. Demostrarmos ao mundo os nossos sucessos - e não invariavelmente o que não correbem, acompanhado por uma fotografia de uma velhinha vestida de preto, puxando pela arreata um burro que, por sua vez, puxa uma carroça cheia de palha. E ao mostrarmos ao mundo os nossos sucessos, não só futebolísticos, colocamo- nos também na situação de levar muitos outros portugueses a tentarem replicar o que de bom se tem feito. Porque, na verdade, se os maus exemplos são imitados, porque não hão-de os bons serem também seguidos?

Nicolau Santos, Director - adjunto do Jornal Expresso> In Revista Exportar